"Já ouviu aquela frase “Quem vive de passado é museu?” Tô achando que sou um museu. Não sei esquecer, deixar pra lá, e largar de lado aquilo que tanto me marcou. E isso acaba sendo um problema. Problema que não me deixa seguir em frente sem dar aquela leve espiadinha lá atrás. Complicado. Tão complicado que chega a ser um defeito. Um defeito chamado “se importar”. Tá que se importar não é um defeito, mas passa a se importar demais pra você vê a merda que acontece. Não consigo me importar pouco, ou na medida certa. Sempre exagero. Se eu me importo, me importo demais. Pra caralho. Em excesso. Na verdade, eu queria saber como esquecer. Por onde começo? Poetas pediriam uma dose de amnésia. Já os jovens, não se contentariam com um pouco, então pediriam litros e mais litros. Agora eu? De tão exagerada que sou, pediria um tonel mesmo. Só assim pra poder esquecer, eliminar, deletar de vez sem direito a restauração. Mas eu não precisava esquecer, e sim desapegar. Pro-ble-ma-ço. Ainda não fiz a matéria “desapego”, e se fiz, tenho quase certeza que reprovei. Até hoje não aprendi, não sei, não decorei. O que é uma pena. Mas quer saber de uma coisa? Tô achando que não sou museu não. Museu ganha pra viver de passado, já eu, pago até hoje por isso."
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"Mas você disse que nunca iria me decepcionar…"
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"E a gente fica só na esperança que no fim, tudo dê certo."
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"— Você o ama?
— Amei por muito tempo.
— O verbo “amar” no passado não existe. Ou se ama pra sempre ou nunca se amou verdadeiramente.
Ela sorri.
— Não, o amor é forte e pode ser duradouro. Mas ele também se cansa quando não é correspondido, quando é maltratado e quando ninguém se importa. O verbo amar no passado existe sim, amar sozinho que não. Porque o amor também é troca: um faz o outro feliz, simples."
indirect:
"Tem coisa mais doce que alguém te cativando o tempo todo? Ir minando aos poucos sua defesa própria. Tem coisa mais forte que alguém te invadindo aos poucos? Compartilhando até dos mais íntimos segredos…"
indirect:
"[…] Desapegue; Não se entregue; E não se renda ao amor, ele sempre acaba se convertendo em dores no final de toda essa alegria boba e passageira."
indirect:
"Eu tô enfrentando a vida, levando umas porradas, chutes, ponta pés e me quebrando toda. Mas se no final valer a pena, não ligo nenhum pouco de sair machucada."
indirect:
"Cheguei a ponto de nem me importar se vivo ou se morro."
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